prova de conceito para aplicativo xascii

estive pensando em uma aplicação para internet, para explorar umas dimensões experimentais que gosto particularmente. asciiart e manipulação de documentos digitais com perda, que introduz no conjunto de informação inicial, no caso a imagem, um tipo de ruído imprevisível, ou de difícil mensuração de teor muito subjetivo, ie. aqueles estalos da agulha de vinil em contato com grãos de poeira espalhados aleatoriamente sobre a superfície do disco, ou o “calor” da onda sonora proveniente de equipamentos analógicos, sujeitos a sutis variações aleatórias da corrente fornecida pelos circuitos às etapas amplificadoras de sistemas de som.

o serviço deverá receber de entrada um termo qualquer, e a partir dessa entrada, o sistema deverá realizar uma busca usando algum serviço de busca de imagens, ou um pool de várias opções disponíveis, como flickr, picasa, google image search, duckduck go, valorizando imagens por ordem de prioridade em:

– imagens relacionadas ao termo de pesquisa
– imagens monocromáticas
– imagens em formato de mapa de bits (bmp, pcx)
– imagens de tamanho grande, maior possível

feita essa etapa de seleção, o primeiro resultado que satisfizer os termos de pesquisa de uma forma satisfatória, deverá selecionar esta imagem, apartir de quando procederá com a seguinte sequencia de processamentos:

– eliminação de qualquer informação de cor
– transformação da imagem em formato de bitmap, e redução ou ampliação para uma largura decidida discricionariamente como sendo de 996pixel de largura, com altura variável.
– transformação da imagem transformada em uma representação em caracteres ascii.
exibição desta imagem, acompanhada da descrição em comentário, em um documento compatível com HTML5 que será exibido, e não será armazenado no servidor. será um serviço sem memória.

um protótipo será executado em um framework de prototipagem ágil e estará disponível em xascii.ngrok.com

pendências

referências

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prova de conceito para aplicativo xascii

as políticas do planalto pra internet.

hoje teve debate com a candidata dilma, no sindicato de engenheiros em são paulo.

foram fechados alguns compromissos com o movimento “banda larga é um direito seu”, com a galera da mobilização pelo marco civil da internet, e com os movimentos de software livre.

participei da audiência e escutei o compromisso de dar atenção à política de compras da união para aquisição de software, beneficiando as companhias e comunidades de software livre, chamada a sociedade para a regulamentação do marco civil da internet, sobretudo do que se trata de políticas de privacidade, e compromisso em tocar um plano sério de universalização do acesso, com back hauls de fibra pra todo o brasil, e operação do plano usando um modelo misto de execução, tendo a telebras como player, regulando oferta e subsidiando localidades menos rentáveis, além de mecanismos de estímulo a startups. me sinto representado pelos compromissos e realmente gostaria de ouvir outros candidatos a respeito desses temas… por enquanto, é a candidatura que mais se alinha com os meus interesses.

as políticas do planalto pra internet.

dez dias de acampamento selvagem no centro velho da cidade de são paulo.

o espaço e ao redor

festaocupaa vista do sexto andar o edifício é incrível. do pequeno terraço é possível avistar uma grande massa de concreto em forma de prédios, quando se olha a esquerda. nesta mesma direção, o fundo do vale onde hoje há uma movimentada avenida, fruto do plano de avenidas do prefeito prestes maia, a 9 de julho, que em seu nome celebra uma das mais vergonhosas derrotas de um movimento constitucionalista paulista, elitista, e bobo, em tempos de getúlio ditador, e fato gerador de um ethos paulista auto centrado, egoísta, e segregador.

incrível, que em uma são paulo recém recuperada de uma semana de artes de 1922, em que uma aristocracia cafeeira ávida por novidades resolve financiar uns garotos recém chegados da europa, com umas idéias engraçadas de antropofagia, e inclinados a inventar uma criação mítica do brasileiro em nome de um país continental inteiro, é capaz de inventar instituições como a universidade de são paulo, um think tank com aspirações colonialistas que formou o primeiro presidente sério após um tempo chato e longo de uma ditadura militar desnecessária, e praticamente constituiu as bases do que é o atual cenário político do brasil, na dobradinha pt-psdb, ambos partidos recheados de figurinhas uspianas em seus altos comandos, embora essa hegemonia venha a cada dia se atenuando.

assim como os constitucionalistas de 32, os paulistas de 2014 viram uma coluna gaúcha, desta vez sem fardas cafonas, mas ostentando chapéus coco e artefatos de simbologias tão díspares como guitarras, marretas e bambolês, derrubarem uma porta grossa de metal, e ocuparem um prédio de 11 andares, mais um terraço, onde o sonho da conquista da terra prometida se concretizou, com bandeiras fincadas, e uma nova ordem proposta e estabelecida, simultaneamente em interação com uma cena paulistana, ávida por novidades e cansada de eleger as melhores casas noturnas e frequentar espaços artísticos saturados de bocejos e falta de iniciativa, onde o importante é agradar ao mecenas, e manter o saguão livre de mendigos. aconteceu uma mágica. o reencantamento com a cidade em volta, com o rio tapado, com a paisagem murada de prédios, alguns interessantes, outros só úteis, a secretaria de segurança pública em frente, o terminal bandeira ao lado, na saída de uma passarela por onde desfilam milhões de cabeças distraídas, que de repente se deparam com uma massa de artistas, das mais variadas aptidões, e das mais diversas linguagens. surge uma ocupação.

a matéria humana independente dos cpf’s e dos rg’s das pessoas reunidas nesse prédio, cada qual se colocou nesse projeto prático, nessa escultura de intenções, como artífice de um projeto de intervenção, onde pouco a pouco, começaram a se formar núcleos de consenso, e aos poucos, os indivíduos dali, cada qual representando seu próprio povo, no sentido etnológico do termo, fundaram uma república, um organismo social, na disputa por espaços, na criação de regras e no descompasso natural de idéias divergentes, que procuram, por suas representações individuadas, convergir para a formação de uma coletividade com algum sentido.

mérito dos sonhadores que formularam o rascunho da intrincada rede de relações capazes de colocar este edifício de pé. arquitetos. engenheiros que por sua vez analisaram criteriosamente as possibilidades técnicas e objetivas de dar ao coletivo um lugar digno para os ritos do corpo, e a euforia de todos se transubstanciarem em peões, munidos de ferramentas, a mover montanhas de entulho, martelar, serrar, pregar, varrer, explorar e transformar em tão pouco tempo, a simples degradação em um ambiente habitado, onde a criatividade latente ganha força para emergir numa grande obra coletiva do engenho humano. bela por sua forma, sublime pela seu caráter de ruptura.

a celebração e a epifania um porão onde a energia alcoólica do rock and roll na sua forma mais gaúcha se manifesta e impregna o ar, ao piso superior, onde a natureza eclética e atmosfera psicodélica das pistas de dança paulistanas, em sua manifestação mais cosmopolita e autêntica servem de passarela para um desfile de corpos e idéias pulsantes, ao segundo andar, onde um espaço aberto, com ares de praça pública, onde corpos convivem em harmonia e interagem, era possível ver cerca de 800 pessoas, todas interessantes, algumas menos entusiasmadas, mas tomando conta e explorando aquele espaço interessante. digo interessante no sentido mais profundo e sintético da palavra, no interesse genuíno de trocar experiências e tecnologias para a vida. todo este pequeno projeto que ocupou apenas dez dias das vidas de algumas pessoas interessantes, não dá ainda, pela precocidade, diriam os mais prudentes, mostras de qualquer possibilidade de abalo. uma coisa realmente nova aconteceu no coração e na mente de são paulo.

dez dias de acampamento selvagem no centro velho da cidade de são paulo.